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  • Carlos Eduardo

Você nunca estará pronto para começar a vender, e não precisa



"Pessoas são como softwares"... A maioria acredita que um dia devem estar no "ponto certo" pra ser apresentado ao mundo, demoram a ser lançados e são passados pra trás por quem teve a "audácia" de se vender primeiro e engolir a fatia "do seu mercado", antes mesmo de estar "preparado" pra tal desafio.

O problema aqui é simples: essa grande maioria não percebe que, assim como desenvolvimento de software, esse processo é contínuo, nunca acaba, e que o tempo é a principal moeda de troca, mais valiosa que dinheiro (logicamente, quando se usa pra evoluir rápido).

Imagine uma startup que nasce cheia da grana, formada por pessoas que não conhecem a realidade desse mundo, jogando 3 milhões de reais na mesa, acreditando que isso é suficiente pra fazer de um negócio, que não tem nenhum dado sobre seus potenciais clientes, um sucesso... Sinto muito, mas vc pode estar comprando crescimento por tempo limitado, em outras palavras: comprando falência.

Primeiro, entenda como você se posiciona, qual o seu diferencial quanto ao que já existe no mercado, e se o tamanho do mesmo é interessante a ponto de valer a pena investir energia nisso.

 Quem conhece esse mundo de startups sabe que "o segredo" é ter um ótimo time, ter uma solução que atinja em cheio um nicho específico, capaz de atrair seus "clientes apóstolos" (como diz o grande Marcelo Nakagawa) - aqueles que, não só estão satisfeitos com seu serviço ou produto, e sempre voltam a você quando o mesmo problema surge, mas que também espalham a boa nova para o mundo todo, dizendo que você é PHod* e que mudou a vida dele.

 Eu aprendo fácil com exemplos e por isso os carrego comigo... Afinal, é melhor aprender com quem já passou pelos problemas, do que perder tempo enfrentando-os novamente pra, só depois, descobrir o caminho certo.

Em 2016, um amigo chamado Paulo Silva, me perguntou a quanto tempo eu vinha desenvolvendo um sistema na minha primeira startup. Eu respondi: "8 meses". Ele disse: "pronto… vc perdeu 8 meses da sua vida!". E continuou... "Novinho, vou lhe dar o melhor conselho que vc pode ouvir... 'Minta!'... Construa um MVP (protótipo) sem uma linha de código, usando plataformas como o Wix, Sharetribe, por exemplo... Sei que parece ridículo, principalmente pra quem vem da área de computação, mas o que está em jogo aqui é validar se o negócio realmente fica de pé ou não. Existe uma demanda real ou isso não passa de mais uma ideia delirante?... Depois de validar que há uma 'dor' (as pessoas estão loucas pra ‘comprar’ isso), aí sim, invista no desenvolvimento da sua plataforma".

Em resumo, "não precisa ser automático pra parecer automático"... O negócio é solucionar o problema, a dor do cliente, o mais rápido possível, e aprender com os feedbacks.

Aquilo não saiu mais da minha cabeça.

Um tempo depois, conheço um louco (no melhor sentido da palavra, "risos"), um grande amigo chamado Juliano Dias. Ele criou o "trivago das gráficas", a BeGraf... Só que, no começo, não passava de um Google Form (literalmente) com um domínio web, trabalhando sozinho numa mesa, com um telefone e um laptop velho faltando tecla, que nos seus primeiros 9 meses faturou 380 mil reais, pra depois pensar em investir no desenvolvimento de uma ferramenta tecnológica, com base no aprendizado que ele teve junto aos seus clientes ao longo do tempo.

Assim como Juliano, conheço dezenas de outros empreendedores que fizeram experimentos e evoluíram rápido. Isso é o que chamamos de Lean Startup.

Feedbacks surgem, quem escuta e reconhece padrões nos depoimentos, evolui. É preciso humildade, escutar, corrigir rápido, voltar ao mercado e aprender ainda mais com seus clientes. Mas, a diferença é que, quem detém o conhecimento técnico (de software), sabe claramente que tais alterações num sistema desenvolvido do zero são ligeiramente complexas, há entraves, perde-se tempo. Então, quem é bom, não quer passar por isso.

 Valide as hipóteses do seu negócio CORRENDO, “é pra ontem!”. Quando sentir que seu negócio (seu principal ativo) está crescendo (vendas / base de usuários), se tornando algo consistente, e enxergar a necessidade de automatizar parte ou todo o processo, traga pra perto alguém bom em desenvolvimento e faça dele seu sócio com o passar do tempo, pois não há ninguém que acredite (invista) em startups que não tenha domínio sobre o seu segundo principal ativo, a tecnologia.

Sempre digo que: toda startup tem o DEVER de "economizar" (aumentar a eficiência de) 3 coisas fundamentais: Tempo Paciência e Dinheiro.

Respeite e escute quem trabalha com você, entenda que a confiança é fundamental e que é preciso que o time pense lean, tome decisões rápidas com os dados que tem nas mãos, aprenda com quem paga suas contas (seus clientes), mensure, corrija e evolua sempre.

 Hoje faço parte de um super-time, junto a Rodrigo Zwetsch, à frente da AVATI Aceleradora, trabalhando em prol do ecossistema de startups da nossa região Nordeste, apoiando empreendedores com esta visão, atraindo investimentos e auxiliando-os neste processo de descoberta, utilizando as melhores metodologias e ferramentas do mercado para aumentar as chances de sucesso desses negócios escaláveis.

Conheça um pouco mais do nosso trabalho acessando avati.com.br e participe deste movimento.

Bem-vindos a era da inovação dinâmica, constante e evolutiva!

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