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  • Carlos Eduardo

Investidor-anjo e suas principais características


Nos últimos anos, com o surgimento de startups tendo resultados surpreendentes no Brasil, fala-se cada vez mais sobre rodadas de investimento, como e onde conseguir investimento-anjo, e daí por diante. Porém, muitos empreendedores ainda não sabem exatamente como isso funciona, qual o passo-a-passo, e nem mesmo os investidores do mercado tradicional, que têm curiosidade sobre o assunto, entendem a dinâmica desse “novo mercado”.


Por isso, resolvi escrever sobre o investimento-anjo na tentativa de esclarecer algumas dúvidas trazidas por diversos amigos, principalmente como investidores, além de apresentar aqui, tendências relacionadas a esta atividade, dando uma ideia do que nos espera num futuro breve.


Segundo Cassio Spina, o termo investidor-anjo (em inglês, Angel Investor ou Business Angel) foi criado nos Estados Unidos no início do século 20, para designar os investidores que bancavam os custos de produção das peças da Broadway, assumindo os riscos e participando de seu retorno financeiro, bem como apoiando na sua execução.

Hoje, os investidores-anjos atuam como promotores da inovação, apoiando times de excelência em busca de negócios que tenham o potencial de crescer rápido, que sejam escaláveis, como startups.

O investidor-anjo agrega valor para o empreendedor através de um conjunto de benefícios, como:

  • capital;

  • conhecimentos (know-how);

  • e rede de relacionamentos (network).

Todo investidor é um investidor-anjo?... Não. Segue abaixo algumas das principais diferenças:

  • Investidores-anjos são pessoas físicas (e às vezes jurídicas) que investem em startups sabendo dos riscos e possíveis ganhos neste mercado.

  • Eles entendem que podem perder tudo que foi investido e que não há qualquer garantia dada pelo empreendedor;

  • Nunca investem sozinhos, usam a estratégia de investir em grupo, assim como também investem em startups de diferentes setores, para dirimir o risco.

  • Não investem mais que 5% do seu patrimônio (pelo menos, essa é a recomendação).

  • Geralmente, são pessoas que querem contribuir, participar, sem tomar a frente desses negócios e nem entrar no quadro societário de início (por conta do risco);

  • O retorno pode ser muito alto, compensando a perda com outras startups investidas que morreram.

  • Por que hoje este é um mercado atrativo?... Embora o risco seja alto, no Brasil, o retorno gerado por startups que dão certo, podem chegar até 50x o valor investido (como mostra João Kepler neste artigo).

  • O tempo médio para fazer o exit (saída do investimento) é de 6 anos. O cenário ideal para o investidor-anjo sair, seria 2 rodadas depois de sua entrada (considerando que a startup conseguiu atingir os resultados e realizou outras rodadas no tempo certo - de acordo com Burn Rate).

  • Nunca ficam com uma grande fatia das cotas da startup, pois sabem que é preciso investir muita energia para fazer esse tipo de negócio dar certo, e que para tal, os empreendedores devem se manter motivados, o que só é possível enquanto se sentirem donos do negócio. Por isso, se você é empreendedor digital e alguém diz ser investidor-anjo, sugerindo comprar 30% ou mais de participação: F-U-J-A!... Ele não sabe o que diz.

  • O valor médio de investimento é de 50 mil reais (por investidor-anjo), chegando, em alguns casos, a ser 70 mil reais, e o valor máximo do aporte do grupo podendo ser de até 500 mil reais. Há exceções em que o valor do aporte ultrapasse 500 mil, chegando até 1 milhão de reais?... Sim, há. Mas, como na própria pergunta já diz: são exceções, melhor dizendo, é raro.

  • Investidores-anjos não se envolvem na operação, mas podem participar do conselho consultivo tendo reuniões frequentes que geralmente podem ser a cada 15 dias.

  • Também não querem saber o que foi feito ontem e o que será feito amanhã, ou a cada semana. Reuniões quinzenais é o suficiente para atualização. Até porque, a startup realiza experimentos no mercado, o que infere dizer que haverá oscilações nos resultados e até mesmo no direcionamento do negócio nos seus primeiros meses, pós-investimento.

  • Um documento muito comum que ajuda com a comunicação, e que deve ser emitido mensalmente pela startup, é o chamado ‘One Pager’, onde consta um parágrafo descrevendo o que é o negócio, mostra seus principais Indicadores de Desempenho (KPIs) e quem é o time (com link para acesso aos perfis do LinkedIn dos co-fundadores).

  • Também é comum a criação de um sindicato para realizar o aporte, e eleger um investidor-anjo do grupo, o que chamamos de ‘Investidor - líder’, para estar à frente do mesmo;

  • O investidor-líder é encarregado para acompanhar e cuidar da comunicação e cobrança das atualizações quanto às métricas e explicações pontuais sobre as decisões estratégicas da startup. Em troca, o investidor-líder aporta um valor (em dinheiro) menor que os demais ou recebe uma porção ligeiramente maior do equity dentro do grupo.

  • Na prática, a avaliação do time é o mais importante. “90%” da decisão de investir ou não depende de quais pessoas estão envolvidas na startup (currículo, o que já fizeram e como trabalham em equipe, etc). Se o time é bom, e o negócio não, eles vão mudar o negócio até dar certo. Já o contrário, não acontece.

  • Não existe startup de uma pessoa só. A própria definição de startup (amplamente aceita atualmente), já diz que: “startup é um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócio replicável e escalável, num contexto de extrema incerteza”. Isso também não quer dizer que o negócio, por não ter um grupo envolvido, seja “ruim”. Só que não é uma startup.

  • O aporte financeiro não é feito de uma só vez. Geralmente, é dividido entre 2 à 5 parcelas, dependendo do montante, o que é definido em contrato. A entrega do dinheiro fica atrelada à conquistas sobre as metas. Caso isso não ocorra, o conselho se reúne para deliberar sobre o futuro da startup.

  • Já existe regulamentação do setor, com a Lei Complementar 155 de 2016 (vale muito a pena conferir).

Importante: quando a startup procura investimento-anjo, ela assume (“automaticamente”) que passará por novas rodadas de investimento para continuar crescendo rápido. Na prática, para a maioria dos empreendedores, ainda não está claro isso, nem como funciona.

Por que crescer rápido é importante e como isso é possível?


Simples: crescer rápido significa criar (fortalecer) sua barreira de mercado. E isso só é possível porque a startup enxergou uma oportunidade, resolvendo um problema de um nicho específico, de forma específica, para pessoas que amam sua solução e que fariam de tudo para ter a chance de usá-la. As aceleradoras podem ajudar muito nesse sentido, e consequentemente, diminuir o risco de investimento nas startups.


Vamos ser claros?!...

  • O investidor-anjo entra no negócio para sair;

  • Quando ele entrar com o dinheiro, ele quer saber onde será aplicado, o que se espera sair na outra ponta (número de vendas, usuários, etc) e se isso é factível ou não;

  • Normalmente, as startups trabalham com projeções de 18 a 24 meses (Burn Rate).

Definir quanto vale a startup (valuation), não é simples. Este é um tema para outro artigo onde irei abordar os estágios das startups e tickets de investimento comuns para cada um deles.


Algumas novidades têm surgido…

Diversos órgãos de fomento como a FINEP e o BNDES estão lançando programas de investimento em startups com a contra-participação de grupos de investidores-anjos. A ideia é incentivar a inovação, colocando pessoas que tem conhecimento da causa para monitorar, orientar e zelar pelo negócio (investidores-anjos), aumentando as chances desses órgãos investir em mais startups (um modelo escalável), “terceirizando” tais responsabilidades - já que não há time suficiente e especializado na área (desses órgãos de fomento) para dar suporte e atender tantos negócios assim.


No final, o que passa confiança, é o time da startup ter uma relação próxima ao potencial investidor e trazer resultados iniciais que apontam o futuro da startup, além de ser extremamente importante ser transparente e atualizar os resultados frequentemente, é claro.

Para se aprofundar mais neste assunto, eu aconselho procurar mais informações em fontes seguras, de renome, como Anjos do Brasil e Endeavor, e claro, no site do Johnny Angels.


O Johnny Angels é o primeiro grupo de investidores-anjos da Paraíba, que está em fase de captação, lançado no início e novembro de 2018, durante a EXPOTEC - a maior feira e congresso de tecnologia do Nordeste, realizada no Centro de Convenções de João Pessoa.

Para mais informações, acesse: www.johnnyangels.com.br

Sou Carlos Novinho, CEO da Avati Aceleradora. Colaboramos para a criação de um ecossistema cada vez mais forte. Faça parte desse time, inscreva-se na nossa lista de amigos. Até a próxima!

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